quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Histórias do 2o BATALHÃO FERROVIÁRIO (BATALHÃO MAUÁ):


JK VISITA O BATALHÃO

O Exército brasileiro através do BATALHÃO FERROVIÁRIO e boa vontade de nossos Governantes poderiam reforçar as tropas e reforçar a mão-de-obra para a construção da Ferrovia Norte-Sul a bilionária ferrovia que planejada ligar o Brasil de norte à Sul. O Exército poderia fazer módulos de 50 quilômetros, o que permitirá construir vários ramais simultâneamente. Como ocorreu com a linha da Ferroeste, os militares seriam gestores da construção das linhas da Ferrovia Norte-Sul, a fim de concluir as obras o mais breve possível, com certeza essa empreitada deveria economizar bilhões e bilhões. 

Maquinista Clodoaldo


MEDALHA DE 1954 DO 2º BATALHÃO FERROVIÁRIO 



O Presidente da República, Juscelino Kubitschek, visitaria o Batalhão, por ocasião da chegada dos trilhos ao Rio das Pedras, sede da 2ª Companhia. A previsão era de que ele percorreria o trecho já transitável da ferrovia , num trem  operado pela companhia de exploração da via permanente. O presidente viajaria no único vagão de passageiros confortável que possuíamos..Normalmente os nossos trens eram de carga, utilizados para transporte de material pesado para o abastecimento dos canteiros de obras (combustíveis, trilhos, dormentes, brita, postes, cimento, tijolos, vergalhões de aço, etc....), Se bem me lembro, o vagão de passageiros  era azul claro..

Juscelino Kubitschek  Caricatura de Pedro Bottino



            Na ocasião da visita, cuja data não me recordo, só havia um trecho da ferrovia, até a ponta dos trilhos no quilometro 187, com problema: o corte do quilômetro 172, localizado a cerca de 300 metros da sede da 2ª Residência. Tratava-se de um corte no qual eu havia colocado uma escavadeira, um compressor, marteletes, uma pequena locomotiva e vagonetas, trabalhando na retirada de terra e grandes pedras, além dos soldados abrindo valetas para drenagem de água.. O problema era que a retirada da terra e das pedras para abertura do corte, onde ficaria o leito da ferrovia, causara um desequilíbrio entre as massas de material restantes de cada lado do corte e o leito. O peso das massas laterais restantes da montanha rasgada , faziam com que o leito central subisse mais de um metro por dia em relação ao nível previsto para a estrada. Durante o dia o leito era colocado no nível. Na manhã seguinte o leito estava novamente estufado e  acima do nível.


A chegada do trem pioneiro a Brasília, em 21 de abril de 1968 [Foto: Novas construções ferroviárias compensam os ramais erradicados, revista "Refesa", Nov-Dez 1968, p. 26.Acervo: José Emílio Buzelin (SPMT) / Pesquisa e digitalização: Chris R.]


            Mesmo com o leito instável, os trilhos que avançavam em direção à 2ª Companhia foram assentados dentro do corte. A partir daí, todo dia os trilhos eram removidos para retirada da terra do leito que havia subido, enquanto continuava o desmonte de mais terra e pedras das massas laterais do corte, aliviando o peso das mesmas.
O dia da visita do Presidente finalmente chegou. Como o leito no interior do corte continuava instável, horas antes do trem presidencial passar, o leito foi nivelado e os trilhos recolocados. E aí toda a população da residência, ficou à beira da estrada esperando o trem passar. Soldados, civis, mulheres, crianças, todos torcendo para tudo dar certo.


Paredão em Herveira - Ferrovia Ferroeste foto de © Emerson Novalski en Panoramio

E o trem passou. Foi tão rápido que não deu nem para ver o Presidente. Mas estavam todos muito felizes, alegres e orgulhosos do trabalho que realizavam no Batalhão Mauá.



Por: Waldimir Pirró e Longo Ten. Cel. 

Texto publicado no livro “Causos, crônicas e outras...”, Historietas Militares, Coleção Memória Militar volume 7.

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