terça-feira, 5 de julho de 2011

"Causos" - Estórias do Trem.

Nome e Apelido
Era um Engenheiro muito criativo. Encontrava 
soluções para problemas, inventava equipamentos, 
adaptava máquinas para facilitar o trabalho e para 
aumentar a produtividade. 
Fizera, por exemplo, adaptações em um aparelho de 
mudança de via que fez sucesso entre seus colegas da Via 
Permanente. Ficou uma maravilha. 
Sua obra prima, porém, foi a construção de um auto 
de linha, projeto seu, há muito tempo sonhado. Aproveitou 
o motor de um automóvel avariado, adaptou umas peças 
de sucata, confeccionou outras na oficina da Residência 
e o auto ficou prontinho e acabado. Pintado com esmero, 
parecia até recém-chegado do estrangeiro, coisa tão boa só 
mesmo importada. 
Depois de testá-lo na linha, seu inventor e 
construtor aproveitou a primeira viagem que fez à sede do 
Departamento da Via Permanente para falar sobre o auto 
com seu Chefe: 
- Como o senhor sabe, o auto de linha que a gente 
construiu está pronto. Ficou muito bom, modéstia à parte. 
Gostaria, agora, que o senhor sugerisse um nome para 
batizá-lo. 
O Chefe do Departamento, rabujento e irreverente, 
pensou um pouco, coçou a cabeça e respondeu: 
- Olhe aqui, coloque AUTO-BOSTA... 
O criador do veículo levou um susto, surpreendido 
com o que o Chefe acabara de lhe dizer. Refez-se, porém, 
e como era também meio irreverente, devolveu a gozação 
na mesma moeda: 
- É Chefe, AUTO-BOSTA fica bom para o apelido. 
O nome, porém, vai ser o do senhor... 


Apelo ao Presidente
Existem algumas ocorrências que, em si mesmo, 
não têm nada de engraçado. A forma, porém, com a 
qual foram registradas, dá-lhes um aspecto pitoresco, 
hilariante. 
Este por exemplo, é um caso concreto, real. 
Trata-se de uma carta que um ferroviário endereçou 
ao Sr. Presidente da República. 
Ei-la, reproduzida integralmente, na forma como 
foi escrita: 
“Satuba, Alagoas, 08 de fevereiro de 1973. 
Sr. Presidente, 
DECLARAÇÃO
Declaro para os devidos fins, que eu, José da Silva, 
peço minha aposentadoria da REDE F.S.A., que 
já mandei pedir minha aposentadoria e eles não 
mandaram e ninguém querem mandar, porque 
já vou completar 30 anos de serviço no dia 15 de 
março, do mês vindouro de 1974, também nunca tive 
direito a licença Prêmio, eu agora me acho doente 
dos nervos, e venho trabalhando diariamente sem 
poder de forma alguma, isso tudo só posso reclamar 
ao Sr. Presidente, já vai completar três anos que 
estou no INPS, com o nível 03, matrícula n°..., quero 
que V. Excia. tome esta providência sobre minha 
aposentadoria, que eu não posso mais trabalhar, 
estou com estado de nervo tão grande que entrei no 
INPS, no dia 05 de maio de 1970, Sr. Presidente, tive 
que relatar toda minha vida a V. Excia; assim como 
Ferroviário Federal nada mais tenho a dizer-te sobre 
minha modesta parte. 
Muito grátis. 
João Ferreira Silva 
REDE F. S. A.” 
Não se sabe se a carta resolveu o problema do João, 
mas que sua forma pitoresca de escrevê-la fez sucesso, isso 
não se tem dúvida.


Por: Victor José Ferreira do Livro: ESTÓRIAS DO TREM - Uma viagem no folclore ferroviário.





3 comentários:

  1. muito bom!!! Adorei! Mesmo tendo um blog de humor eu me interesso muito por estórias como essas e esses tipos de "causos". Eles são verdadeiros ou foram inventados? Parabéns

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  2. Meio verdade meio estórias... Rs.rs.rs.

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  3. O livro do Prof. Victor de onde foram tiradas essas estórias, encontra-se à venda em: http://www.livrariascuritiba.com.br/estorias-do-trem-aut-catarinense,product,LV239099,3390.aspx
    Vale a pena.

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