quarta-feira, 4 de maio de 2011

ORIGEM DE NOSSAS PAIXÕES POR FERROVIAS.

Depoimentos:

Desde pequeno fazia constantemente o passeio de trem de Curitiba à Paranaguá, além das viagens até Lapa, de Maria Fumaça, onde éramos recebidos pela banda da cidade. Era uma época bem bacana, íamos com toda a família e nos divertíamos muito...Além disso, quando ingressei no movimento escoteiro, minha promessa escoteira foi realizada na Estação de Porto de Cima !!! Fomos de trem até a estação, e após fazer a promessa escoteira, seguimos a pé até o Rio Nhundiaquara, onde fizemos Bóia Cross !!!! Foi inesquecível, sem contar as brincadeiras com os colegas de ficar colocando pedras nas mochilas...Anos mais tarde, comecei a prestar serviços como guia de turismo no mesmo trem, isso, em 2004...então, a paixão vem crescendo cada vez mais!!!!!! 

Minha história sobre paixão por Ferrovias, não é muito diferente dos demais companheiros que deixaram gravados suas paixões pelas mesmas. Nasci em Canguçu/Rs, onde meu avô materno era ferreiro do 1º Batalhão Ferroviário, e meu pai, Mestre de Pedreiro, ajudava a construir a Estação Ferroviária de Canguçu/Rs, dai iniciou-se a adoração por trem e trilhos. Morávamos próximos a ferrovia, nas chamadas "Casas de Turma", pois eram cedidas aos funcionários do 1º Batalhão Ferroviário que trabalhavam no mesmo. Com 3 anos de idade, meu pai foi transferido para Bento Gonçalves/Rs, onde o 1º Batalhão Ferroviário havia se acantonado há poucos anos. Parece incrível, mas com essa tenra idade ainda lembro de nossa viagem de trem de Canguçu à Bento Gonçalves/Rs, com 14 familias juntas e suas respectivas mudanças, que creio serem apenas alguns apetrechos, pois não haviam eletrodomésticos (geladeiras,Tv entre outros) as mudanças eram pequenas. Lembro muito bem, que dentro do trem nessa viagem se comia muito arroz-doce com canela (isso me marcou muito), pois a gente adorava. Depois de longos dias chegamos em Bento Gonçalves e fomos morar novamente em "Casas de Turma", próximo a São Roque denominado de São Valentim, nossa era a 1ª entre as 14 que lá existiam, havia bem pertinho dela uma caixa dágua para abastecer as locomotivas. Assim iniciou-se essa paixão pelas ferrovias, como os funcionários dos Batalhão eram transferidos constantemente para outras localidades onde havia necessidade de seus serviços, moramos apenas uns 3 anos nessa localidade. A melhor e mais intensa lembrança foi com 13/14 anos ( pois morávamos no Rio da Prata, localidade do interior de Veranópolis/Rs, onde estava instalada a 1a Cia de Construções Ferroviária, encarregada de construir Pontes, Cortes, Pontilhões, nessa localidade haviam aproximadamente umas 300 familias de civis e mais uma Cia inteira de militares, instalações de oficinas mecânicas, Posto de Atendimento Médico de Emergência, Cinema, Armazém, Açougue, Rancho, Padaria, Posto de combustíveis entre outros, ali aprendi a profissão de Radiotelegrafista, e iniciei minha vida profissional de filho de ferroviário, e segui meu destino.Tive o privilégio de fazer parte da RESA (Residência Especial de Avançamento), que estava Instalada em uma composição com 19 vagões, formando um comboio, essa Residência foi encarregada de construir a estrada de ferro de Roca Sales/Rs, até Lages/Sc, nessa composição havia os primeiros vagões eram da Administração, Escritório, Comando da RESA, logo a seguir vinha um vagão repartido ao meio, onde na primeira parte estava instalada minha estação de rádio e também o local onde dormia, na outra parte havia um almoxarifado, com telefone de linha, nos vagões a seguir estavam instalados a cozinha da Administração, depois o deposito da cozinha, e outros vagões com alojamentos de militares, ordenados pelos graus de suas divisas, haviam 4 vagões de alojamento apenas de soldados e outros de civis, e no último vagão havia a instalação do gerador de energia próprio, um potente motor GM. Quiz o destino que por ser apaixonado por trens e trilhos, depois de aproximadamente 40 anos, e longas tentativas, pudéssemos adquirir as terras onde naquela época estava instalada a 1a Cia de Construções Ferroviárias, e distantes apenas pela faixa de domínio, dos trilhos onde percorrem diariamente, cinco ou seis composições carregadas de diversos tipos de produtos, subindo ou descendo a serra. Ali construímos uma casinha, e de sua sacada, ficamos admirando a passagem dos trens, seus apitos, e relembrando o passado, alimentado pela paixão pelos trilhos e pelos trens, também quis o destino que meus dois filhos, um Contador e outro Advogado, talvez enfeitiçados pelos contos do pai, hoje sejam os mais apaixonados pelas locomotivas e pelos trilhos, e vivam constantemente nesse "Cantinho da Saudade" admirando as belezas da natureza e ouvindo os apitos dos trens e o ringir dos freios em trilhos que modestamente tive a participação de construir há mais de 40 anos atráz. Saudades, muitas saudades.


Acho que é verdade que alguma coisa nôs leva a gostar desta comunidade que fala de ferrovias.
Eu sou filho de um ferroviário que trabalhou 32 anos neste ramo. Meu Pai hoje com 81 anos, ja com sua memoria doente pela idade, mas me da muito orgulho de te-lo ainda entre nos. Trabalhou sempre em Rutilo, um lugarejo onde havia o cruzamento de uma ferrovia que ligava Ribeirão Vermelho a Barra Mansa cruzando com uma linha que vinha de Soledade de Minas ate Bom jardim de Minas. Minha familia chegou a morar uns tempos em uma casa da RFFSA que ficava na margem da ferrovia em Rutilo. Depois mudamos para Bom jardim, e eu tenho em minhas lembranças aquele armazém cooperativa da rede ferroviaria, o trem pagador, a maria fumaça e a velha estação ferroviaria de madeira, que hoje não mais existe. Fui aquele garoto, que todo dia quando escutava o apito do trem de passageiros, corria ate a beira da linha e ficava olhando o trem ate ele dobrar a curva ao longe. E ate hoje, quando vejo um trem passando eu paro e fico olhando. O barulho da roda do trem na junta do trilho, pra mim é uma musica que trás saudades.
um abraço.



Um comentário:

  1. Na minha infancia ia de Curitiba a Itaperuçu de trem,era uma viagem longa para os padroes de hoje.Sempre chegavamos cansados,mas o prazer da viagem compensava tudo.
    Hoje,defendo que o Brasil invista mais em ferrovias,por ser um modal eficiente e pouco explorado,quando estamos e beira de um apagao no setor de transportes.

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