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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A ESTAÇÃO ARAUCÁRIA.

A lembrança da infância é o único sonho real que nos resta na fase madura da vida, os demais são infelizmente meras utopias. Maquinista Clodoaldo

A antiga estação ferroviária que era de madeira foi consumida por um incêndio em Outubro de 1961, deixando um saldo trágico com a morte do agente Sr. Ladi Azevedo.
A estação de madeira que pegou fogo em Outubro de 1961.

Já em 1962 foi construído em alvenaria um prédio para a estação e uma casa para ser a residência do novo agente. Veio para chefiar esta unidade da RVPRSC o Sr. Cornélio Kaminski que também desempenhou a função de agente nas estações ferroviárias de Rio da Várzea, Nova Restinga, Desvio Ribas e Engenheiro Lange. 

No centro da foto o Sr. Cornélio Kaminski, à sua direita Sr. Jofre de Andrade
e à sua esquerda o Sr. João Guimarães que depois de aposentado ele fez as
cobranças da Sociedade Operaria e do Clube União Araucariense.
Foto do acervo de Moacir Kaminski.

Nesta época o Município de Araucária possuía quatro estações férreas que servia para embarque e desembarque de passageiros e carga e descarga de mercadorias, a primeira era situada no Bairro Estação, segunda na localidade de Passauna,  a terceira no Distrito de Guajuvira e a outra na localidade de General Lúcio. Além do agente Cornélio, faziam parte da equipe que atuava na Estação de Araucária os telegrafistas Carlos de Lima, Ernesto Lemos e João Guimarães, como manobristas e guardas chaves Jofre de Andrade, José de Andrade, José Perini e Cristiano Rodrigues.  A equipe que fazia a manutenção do trajeto da linha que pertencia à Araucária, chamada de turmeiros era chefiada pelo Mestre de Linhas SR Joaquim de Oliveira Godoy. A partir de 1975 toda esta malha ferroviária passou a pertencer a RFFSA. Em 1977 a nova estação foi desativada e demolida, o leito da linha deu lugar a uma parte da rodovia PR 423 que liga Araucária a Campo Largo e outras duas foram construídas no novo traçado da linha que desviou o Bairro Estação. A primeira delas foi construída para servir apenas como embarque e desembarque de passageiros, mas isso nunca aconteceu apesar de uma tentativa de criar um passeio com locomotiva “Maria Fumaça” entre Araucária e a cidade da Lapa, a segunda que serve como terminal de manobras e para cargas e descargas foi construída no Jardim Itaipu e hoje abriga uma grande quantidade de vagões e pertence à RUMO.

No centro da foto, de gravata, está o Sr Ernesto Lemos um dos telegrafistas da
estação. Os demais da D para E (do Ernesto) : Irineu e Aloísio Trzeciak, Dionísio Baja,
Lídio Esmanhoto, Ademar Surek,, Luiz Madureira, João Manuel Kaminski e
um garoto que eu não consegui identificar.
Foto do acervo de Moacir Kaminski.

A estação sempre foi um ponto de encontro da moçada do bairro. Nesta, em pé Cadorin,
Dionísio Baja com a mão na cintura. Sentados: E para D : Luiz Elirio Baja, Rogério Jasiocha
e Moacir Kaminski.
Foto: acervo de Moacir Kaminski.

Na foto: Sr Jofre de Andrade, ocasião que ele estava trabalhando na estação
da cidade de Rio Negro, PR.
Foto: acervo de Eliseu de Andrade.

Estação do Passauna, também funcionou somente até 1977.
Foto: Acervo da ABPF do PR.

Estação de Guajuvira numa época de enchente do Rio Iguaçu.
Foto: acervo de Estevão Wagner II.

Estação construída no bairro Chapada, em 1977, para atender embarque e desembarque
de passageiros, mas isso nunca ocorreu. Ela foi edificada nas margens da Rod.
do Xisto. Foto Luiz H. Bassetti 

O patio da atual estação de manobras em Araucária "LAR", Bairro Itaipu, hoje pertence
à Rumo. Foto Luiz H. Bassetti

Fonte http://rjasiocha.blogspot.com.br/

Histórias do meu Bornal

Por 


sábado, 22 de agosto de 2015

O trem de subúrbio da RVPSC!



"Para se conhecer o futuro,
é bastante volver ao passado
e confrontá-lo com o presente,
pois, no dia de amanhã, é que amadurece 
o fruto plantado hoje."
(Waldemar Werner)

Artigo idêntico ao escrito na Revista Correio dos Ferroviários da RVPSC, edição nº 415 de junho 1968.

Estação Ferroviária de Curitiba, final de década de 1950!

Quatro horas da madrugada. É bom que o Pedro das neves já tenha acordado, senão êle nem vai ter tempo de tomar café e de se arrumar. Mas já pulou da cama, felizmente, está prontinho e lá se vai, marmita em baixo do braço, para a Estação de Rio Branco do Sul, onde dentro de trinta minutos vai sair o trem do dia.
- Passagens, passagens. – O chefe do trem, o Ferreira, acordou mais cêdo ainda e vai recolhendo os bilhetes dos operários, que está na hora do expresso partir para a sua viagem diária. Para os acostumados a ir para o trabalho no automóvel oficial, que pára às nove em frente da casa, no Volks ou, no pior dos casos, de ônibus, ou de bicicleta, decerto imaginam que seja uma Maria Fumaça caindo aos pedaços, puxando uns vagões construídos no tempo de Dom Pedro II.
Maria Fumaça coisa nenhuma. É uma locomotiva Diesel muito boa, igualzinha à que vai para São Paulo.
E, lá vai o trem. Em Rio Branco do Sul, junto com o Pedro das neves, devem ter embarcado mais uns quarenta trabalhadores,  o que não chegou para lotar um vagão, cuja capacidade é de 44, sentados. Daqui a pouco os três vão estar lotadinhos e vai ter mais gente em pé do que sentada. O Pedro pagou 34 centavos de passagem. O Antônio, que está apanhando o expresso aqui em Itaperussu, vai pagar 28.
Se o diálogo continuasse progressivamente, o Antônio diria ao João, de Tranqueira, que o abençoado pela sorte é êle: 22 centavos. 5 e 15 da madrugada. O João retrucaria ao Chico, de Almirante Tamandaré, usando os mesmos argumentos, com outros números: 16 centavos. 5 e meia. E o Chico teria os dois últimos dados para apresentar ao José, o cachoeirense: 13 centavos. 5 e 45. Dentro desta lógica, o Chico teria que concordar. É, o sortudo sou eu mesmo.
E lá vai o trem. São seis e vinte e,  agora é que está nascendo o Sol. Nasce o sol, o trem chega à Estação Ferroviária de Curitiba. Descem, no mínimo, 240 passageiros. Apanham as trouxas a as marmitas e, passos apressados, vão trabalhar. Estão andando depressa, para não chegar tarde; o patrão desconta de quem não assina o ponto na horinha certa. A construção fica longe, pegar ônibus custa caro, então pernas para que te quero.

Capa da Revista ferroviária de 1967.

Às cinco e quinze, saíram outros dois trens. Um de Roça Nova, parando em Piraquara e Pinhais, outro de Passaúna. Primeira escala em Araucária. O trem fica parado bem uns quinze minutos, entra gente prá burro. Também, a passagem ainda está na base de 13 centavos e a de ônibus sai o dôbro. De Araucária, cheio até a alma, o trem faz a segunda e a principal escala, na Vila Nossa Senhora da Luz dos Pinhais.
- Passagens, passagens. Olha a fila. Vamos depressa, estamos atrasados. A sua passagem, por favor. Não tem mais lugar. Tem que ir de pé, o que se vai fazer. Passagens, passagens. Não tem mais ninguém. Ah, aquêle que vem correndo? Depressa, môço, não podemos esperar. Sua passagem. Obrigado. Vamos embora.
E lá vai o trem. Só que em velocidade mais reduzida, em virtude do excesso de passageiros. Coisa de rotina, todo dia é assim. Alguns em Passaúna, muitos em Araucária e uma incalculável multidão na Vila. Três anos atrás, o suburbano nem parava lá, porque a Vila não existia. Agora é a principal escala. Os operários e ex-favelados preferem o trem, pois a passagem sai 13 centavos. A do ônibus custa 20. Treze vêzes 25 cinco dias de trabalho, igual a 3 cruzeiros novos e 25 centavos. Vinte vêzes 25, igual a 5 cruzeiros novos. Uma economia de um cruzeiro novo e setenta e cinco centavos, no fim do mês.
E lá vai o trem. Chegou ao Portão.
Ao todo, são quase mil operários que andam nesses trens suburbanos, que os passageiros de ônibus nem sabem que existem. Acordam cedo, para não perder o trem e saem do trabalho às pressas, pois às 18H 10min deve estar na Estação, para a longa viagem de volta.
E lá vai o trem, com  Pedro das Neves, o Antônio, o João, o Chico. Lá vai o trem, sacolejando nos trilhos da Ponte Preta, por cima da João Negrão, onde trafegam os carros, os ônibus, as bicicletas.

Artigo extraído da página nº 09 da Revista dos Ferroviários da RVPSC, edição de junho, 1968!